sexta-feira, 1 de maio de 2009
A GRIPE SUÍNA - UMA PREOCUPAÇÃO MUNDIAL
OMS considera a situação uma "emergência de saúde pública de preocupação internacional"
TIRE SUAS DÚVIDAS
O que é a gripe suína?
É uma doença respiratória aguda altamente contagiosa frequente em porcos. Esses animais podem ser infectados, ao mesmo tempo, por mais de um tipo de vírus, o que possibilita que os genes dos vírus se misturem. Por isso, a suspeita dos especialistas é de que a doença que está contaminando pessoas atualmente seja provocada por um vírus que contém genes de várias origens - chamado de recombinante. É um vírus que contém a mistura de genes que provocam a gripe suína, a aviária e a humana.
Quais os riscos para as pessoas?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a situação uma "emergência de saúde pública de preocupação internacional". Conforme explicou no domingo o secretário-geral adjunto da OMS, Keiji Fukuda, isso significa que há risco de que a gripe suína se espalhe pelo mundo. Já foi estabelecido nível de alerta de grau quatro - numa escala que vai até seis. Nesse caso, avisou Fukuda, os países serão de tomar medidas muito drásticas, mas não deu detalhes.
Como ocorre a infecção em humanos?
As pessoas, quase sempre, são infectadas pelo contato com porcos. Mas em alguns casos não há histórico de contato nem com porcos nem com ambientes em que esses animais tenham estado - em fazendas ou feiras agropecuárias, por exemplo. Os registros de transmissão da doença entre humanos são limitados a contato muito próximo em grupos de convivência.
É seguro comer porco e produtos de carne suína?
Sim. Não há registro de transmissão da gripe suína por ingestão de alimentos adequadamente preparados. O vírus da gripe suína não resiste ao cozimento em temperatura superior a 70°C, como se recomenda para a preparação de carne de porco e outras carnes para alimentação humana.
E alimentos como presunto cru, patê suíno, salame, salsicha?
Também não existe nenhum tipo de risco em comer esses alimentos.
Há vacina para proteger pessoas?
Não. Esses vírus se modificam muito rapidamente. A vacina atual contra a influenza produzida a partir das recomendações da OMS não contém o vírus da gripe suína.
Como é feito o diagnóstico em seres humanos?
Da mesma forma que numa gripe comum, quando observados os sintomas (febre, dores pelo corpo, cansaço e tosse), recolhe-se material para análise, normalmente o muco expelido pelo nariz e boca.
Por que a gripe suína mata?
Esse vírus tem uma capacidade de atingir os pulmões e não só pode causar uma pneumonia (que leva à morte pela insuficiência respiratória) como predispõe o pulmão a se infectar com outras bactérias que normalmente não causariam essa pneumonia.
Estou em um avião e tem alguém com sintomas de gripe (e não sei qual é). Devo me preocupar?
Devo me preocupar se estiver em um voo internacional que saiu de um desses países onde existem casos confirmados e suspeitos. As pessoas que estão no Brasil, porém, não devem ter paranoia. Por enquanto, não há casos confirmados aqui.
A vacina usada na prevenção da gripe comum pode ajudar no combate da gripe suína?
Pode, ela pode conferir uma proteção parcial. A pessoa pode se proteger ou não, ou pode se proteger de um modo intermediário. A chance maior é que não proteja muito bem, porque o vírus da gripe suína é diferente do que está na vacina. Mas mal a vacina não irá fazer.
Como os médicos sabem diferenciar se é uma gripe comum ou a gripe suína?
Em uma pessoa com suspeita, primeiro, se faz o chamado teste rápido para detecção do vírus influenza. É um kit que existe e que permite indicar a presença do vírus influenza. Se esse teste rápido der positivo, o material colhido é enviado para um laboratório especializado e ali se identifica se o vírus influenza encontrado é ou não da gripe suína.
Estive no México recentemente. Por quantos dias devo me preocupar se posso ter sido infectado?
Geralmente, a incubação da doença dura de 2 até 10 dias. O ideal é que as pessoas observem por 10 dias depois da chegada. Se aparecer sintomas, elas devem procuraras autoridades saúde.
Uma pessoa que está com a gripe suína pode se curar?
Pode. A maioria dos casos está sendo curado espontaneamente. Por enquanto, ainda não se sabe o percentual de cura. Até agora, a gripe suína tem sido menos letal do que a gripe aviária, mas se espalha com mais rapidez, porque é transmitida de humano para humano.
Vou tirar férias e planejei ir para um dos países onde há casos confirmados da doença. Devo remarcar minha viagem?
A viagem para esses lugares deve ser evitada, principalmente para o México. A recomendação é viajar somente em caso de extrema urgência.
Se é a pessoa é contaminada uma vez, faz tratamento e melhora. Ela pode ser contaminada novamente?
Provavelmente não, porque ela adquire uma proteção contra esse tipo de vírus da gripe, mas não contra outros tipos.
A pessoa fica com o vírus "para sempre", mesmo depois de melhorar?
Não. O vírus infecta a pessoa, causa sintomas - ou não - vai embora e depois deixa essa pessoa com uma proteção contra ele. O tratamento, para funcionar, tem de ser feito nas primeiras 48 horas. A medicação é específica.
Vou ao México a trabalho e não tenho como adiar a viagem. O que faço para me proteger?
Fique atento às recomendações de saúde dadas e use máscaras dentro do avião e também enquanto estiver na rua. O governo brasileiro está disponibilizando máscaras nos aeroportos. É uma máscara especial.
PERGUNTAS DO LEITOR
Como surgiu esse vírus?
Ainda não se sabe bem o que aconteceu. É uma mistura de três vírus influenza: da gripe aviária, suína e humana. Provavelmente saiu do porco para o humano e aí se espalhou.
Já existe algum estudo para se obter uma vacina para essa gripe ou não há nada em vista?
Sim, já está se analisando o vírus, e a OMS está trabalhando para isso. O tempo médio para que uma vacina fique pronta é de quatro a seis meses.
Estive na segunda-feira em contato com um conhecido que retornou dos EUA no sábado, após passar uma semana lá. Ele estava muito gripado e tossindo. Terça-feira amanheci gripada. A transmissão pode ser assim tão rápida?
Geralmente, os sintomas demoram no mínimo de 48 a 72 horas para aparecer. Vinte e quatro horas é um tempo muito curto para que apareçam os sintomas.
Não deveria existir uma quarentena para as pessoas que vêm de países que têm a gripe suína?
Essa determinação precisaria partir do governo, mas, além das questões de saúde, existem questões diplomáticas e econômicas a serem consideradas para a adoção de uma medida como essa.
Com que frequência a máscara deve ser trocada ?
O ideal é que a máscara seja trocada em, no máximo, 24 horas.
Quanto tempo o vírus sobrevive fora de um organismo?
Esse vírus não dura muito tempo no ambiente. Não se sabe exatamente quanto, alguns dias em um clima úmido e frio.
Fonte: Luciano Goldani, chefe da unidade de infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
DICAS PARA SE PREVENIR DA GRIPE:
Higiene: Lave as mãos com frequência. ProteçãoAo tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, de preferência descartável
Contato: Evite o contato direto com pessoas doentes. Também não compartilhe alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal. Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
domingo, 5 de abril de 2009
Delúbio: foi lider do MENSALÃO e agora quer ganhar uma ELEIÇÃO...será que vão votar nele?
Reportagam de Mário Simas Filho
EMPRÉSTIMO DO BNDES
A CANDIDATURA
INFLUÊNCIA FORA DO PT
A todos os interlocutores, Delúbio repete o que escreveu na carta a Berzoini e faz menção indireta ao silêncio mantido nos últimos quatro anos. "Sempre contribuí com o partido, comprometido com a causa coletiva. Não sou acusado de um único ato que visasse meu benefício, seja político, seja fi nanceiro ou pessoal", redigiu Delúbio.
"Sinto-me cumprindo uma pena capital." Apesar de expulso, o PT não abandonou Delúbio, ainda prestigiado na Esplanada dos Ministérios.
JOGANDO EM TODAS
municipal de Desenvolvimento. No governo de Goiás, o secretário de Comunicação do governador Alcides Rodrigues (PP), Marcos Vinícius, também foi apadrinhado pelo ex-tesoureiro petista. "Em Goiás, quem fala em nome do PT ainda é o Délubio", diz o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). "É ele quem faz reuniões com prefeitos e avaliza os acordos políticos." Na Justiça, o ex-tesoureiro está encrencado com o caso do Mensalão, no STF, e tem outro processo criminal em Goiás, para devolver os salários que teria recebido como professor sem nunca ter ido à sala de aula.
"O Delúbio é um mistério", diz o promotor Fernando Krebs, que atua no processo dos salários. "Ninguém explica como ele consegue manter o padrão de vida que tem. Ele montou uma empresa de propaganda, mas não conheço nenhum cliente dele."
Delúbio é sócio majoritário da Geral. Com - Serviços de Divulgação Ltda., com 95% das ações. Os outros 5% pertencem a sua irmã, Delma Soares. Segundo registro na Junta Comercial, a empresa vende publicidade para sites na internet e propaganda de rua em Goiânia. E ocupa duas salas no terceiro andar da Galeria Ipê, numa das avenidas mais movimentadas da capital. Delúbio paga aluguel de R$ 400 e condomínio de R$ 120.
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) estava preocupado apenas com o vernáculo: "Jatinho é uma palavra burguesa"
Para resgatar a cidadania petista, o desafi o de Delúbio é deixar o vestiário e entrar em campo. "O partido me respeita, mas prefere que eu não vista a camisa oficial", disse Delúbio a um deputado na quinta-feira 2. Há duas semanas, por exemplo, ele esteve com o líder do PT na Câmara, Cândido Vacarezza (SP). A conversa não foi como Delúbio esperava:
- Tive uma pena maior do que os eventuais erros que cometi. Sou petista de coração e já cumpro um exílio há mais de três anos, disse Delúbio.
- Seus argumentos são fortes e de fato você tem uma militância histórica, respondeu Vacarezza.
- Deputado, o senhor votará a favor ou contra mim? - Seus argumentos são consistentes, mas não sei dizer qual é a tendência do Diretório e meu voto será manifestado apenas na reunião de 23 de maio.
Delúbio não gostou do que ouviu. "Não disse a ele que estou contra sua volta. Apenas deixei claro que considerava que ele poderia ter razão e que no momento oportuno manifestaria minha opinião", afirmou Vacarezza à ISTOÉ. Em recente conversa com quatro deputados e dois senadores do PT, o presidente Lula foi consultado sobre o projeto do ex-tesoureiro. "Esse é um assunto já resolvido no PT", disse Lula. "O Delúbio tomou muitas posições por conta própria. Sou contra ele voltar." Como o PT só faz o que Lula quer, a frase do presidente ecoou. "A agenda do Delúbio é inconveniente neste momento", afirmou o deputado Rubens Otoni (PT-GO). "Só a discussão sobre sua eventual volta já é inconveniente. Vou votar contra", antecipa.
Delúbio continua fumando charutos cubanos, veste camisas Lacoste e, ao lado da caneta Montblanc, leva no bolso um iPod carregado com músicas sertanejas, resultado da digitalização de antigos discos de vinil. Mas nem mesmo entre os companheiros de todas as agruras, há entusiasmo a sua acolhida. "Fui contra a expulsão do Delúbio", diz o ex-ministro José Dirceu. "Acho que, assim como eu, ele tem sido préjulgado e cumpre uma pena medieval.
Sou coerente e vou colocar minha posição no Diretório, mas isso não significa que eu esteja articulando sua volta ao partido."
Por isso, Delúbio trabalha com outros dois planos para viabilizar sua candidatura. O primeiro deles é assinar a ficha de filiação no PT no Diretório Municipal de Buriti Alegre, controlado totalmente por seus aliados, dias antes da reunião do Diretório Nacional.
Por isso, Delúbio trabalha com outros dois planos para viabilizar sua candidatura. O primeiro deles é assinar a ficha de filiação no PT no Diretório Municipal de Buriti Alegre, controlado totalmente por seus aliados, dias antes da reunião do Diretório Nacional.
Dessa forma, ficaria livre para se engajar na segunda trama. Delúbio foi personagem fundamental na reeleição do prefeito peemedebista Íris Rezende, que já encomendou um passaporte para o ex-tesoureiro. "Não temos restrições ao nome dele e, se houver um pedido de filiação oficial, vamos analisar", diz Adib Elias Júnior, presidente do diretório do PMDB em Goiás. O ex-tesoureiro também está em tratativas com o PRB e o PHS. "Na hora que ele quiser estamos de portas abertas", afirma o presidente regional do PHS, Walter Souto.
Além disso, Delúbio mantém frequentes encontros com o secretário de Segurança do Estado, Ernesto Roller, e tem prestígio e créditos junto ao PP do governador Alcides Ribeiro. Em dezembro, ele ajudou o governo a aprovar na assembleia a autorização para dispor de 41% das ações da Companhia Energética de Goiás (Celg), em troca de empréstimo de R$ 1,2 bilhão junto ao BNDES. O acordo ainda não foi fechado, mas o governo estadual precisa do empréstimo para ajudar a saldar uma dívida que supera os R$ 5 bilhões. Dívida essa que seria objeto de uma CPI no Estado. A oposição já tinha as assinaturas necessárias para iniciar a investigação, mas no dia 13 de março quatro deputados recuaram. "O Delúbio convenceu muita gente de que a CPI atrapalharia as negociações com o BNDES e levaria a Celg à falência", disse um deputado estadual do PSDB.
O objetivo final da movimentação do ex-tesoureiro do PT, dentro e fora do partido, visa a garantir um mandato de deputado federal. Como fundador do PT, Delúbio levou o mesmo tempo que Lula na caminhada rumo ao poder. Mas despencou dele em apenas dois anos. Agora, os novos passos indicam que um eventual mandato de deputado federal poderá servir não só para assegurar seu futuro como para proteger seu passado.
Colaboraram: Alan Rodrigues (São Paulo), Hugo Marques e Sérgio Pardellas (Brasília)
domingo, 29 de março de 2009
O problema da ÁGUA NO MUNDO. São números assustadores.

A começar pelo fato de mais de 1 bilhão de pessoas já não terem acesso a água de boa qualidade e 2,5 bilhões não disporem de redes de coleta de esgotos. Como a população mundial continuacrescendo à razão de 80 milhões de pessoas por ano, são mais 64 bilhões de metros cúbicos anuais no consumo global de água, diz o relatório Water in a Changing World, de 26 agências da ONU.
Além disso, acentua o documento, as pressões continuam crescendo: as hidrelétricas, que respondem por perto de 20% da energia no mundo, são cada vez mais solicitadas para reduzir as fontes poluidoras derivadas do carvão, do gás e do petróleo – e isso significa mais barragens quando, segundo a Comissão Mundial de Barragens, já existem 45 mil no mundo (só as com pelo menos 15 metros de altura), mais de 80% do fluxo dos rios é interrompido e vários dos grandes rios não chegam mais aos oceanos (Colorado, Amarelo e outros). A agropecuária, que usa cerca de 70% da água, aumenta seu consumo com a demanda de alimentos (1 quilo de trigo exige de 400 litros a 1 mil litros para ser produzido, diz o documento; 1 quilo de carne, entre 1 mil e 20 mil litros; 1 litro de combustível “verde”, cerca de 2,5 mil litros).
Não é só. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) lembra que, se um ser humano precisa de apenas 3 litros diários para beber, precisará de cerca de 3mil litros por dia para produzir sua alimentação – o que pode elevar o consumo total, em casa e fora dela, para 4 mil litros por dia por pessoa. Tem mais. Doenças veiculadas pela água são a segunda causa de morte de crianças com menos de 5 anos: 4,2 mil por dia. Dessas crianças, 125 milhões vivem em casas sem água potável de boa qualidade; 23% da população mundial defeca ao ar livre, porque não dispõe de instalações sanitárias nem de redes de esgoto – o que leva a ONU a concluir que, se o saneamento fosse universalizado, seriam reduzidas em 32% as doenças diarreicas, que matam, junto com outras veiculadas pela água, 1,7 milhão de pessoas por ano (no Brasil, perto de 80% das internações pediátricas e das consultas na rede pública se devem a essas doenças).
Reduzir esses dramas e caminhar em direção aos Objetivos do Milênio exigirá enfrentar muitos condicionantes: o aumento da população; as regras para compartilhamento dos aquíferos pelos vários países; impedir que mudanças do clima façam ainda mais vítimas entre os pobres e continuem a derreter os gelos das montanhas, que abastecem centenas de milhões de pessoas; a crise econômica global, que restringe recursos.Também exigirá novas tecnologias, mudanças no padrão de consumo e no mercado de alimentos e mais planejamento, controle da poluição, regras para expansão urbana desordenada e redução do desmatamento.
E a situação do abastecimento de água e saneamento continua dramática. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), são 34,5 milhões de pessoas (28,6% da população urbana) que não dispõem de redes de coleta de esgotos, mas se a elas se acrescentarem os que contam apenas com fossas, chega-se perto de 50%. Quase 10% não têm suas casas ligadas a redes de abastecimento de água. Mas a “universalização” das redes de esgotos e de água só acontecerá em 20 anos.
Apesar disso, estamos devolvendo R$ 202 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) porque não fomos capazes de fazer licitações e cumprir outras exigências. E tudo isso sem entrar no terreno do tratamento de esgotos, já que apenas pouco mais de 20% dos esgotos coletados recebem algum tratamento (em geral, apenas primário, que devolve 50% da carga orgânica aos rios, onde são a causa principal de poluição). Ou no terreno da perda de água, que está acima de 40% nas maiores cidades brasileiras.
Pode haver encaminhamentos, claro. Os recursos para o saneamento têm de aumentar. É possível ampliar as redes de coleta com menos gastos se se adotar em maior escala o sistema de ramais condominiais (que já atendem a 15 milhões de pessoas, inclusive grande parte de Brasília). Para reduzir as perdas de água, é indispensável criar nos bancos públicos sistemas de financiamento para recuperação e manutenção das redes (hoje só se financiam novas barragens, adutoras e estações de tratamento, muitas vezes mais caras). Urge implantar os comitês de gestão de bacias em todo o País (só dois funcionam hoje) e a exigência de pagamento pelo uso da água (com os recursos daí advindos aplicados na própria bacia).
Enfim, são muitos caminhos. Não se pode perder mais tempo diante da gravidade do quadro."Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br
domingo, 22 de março de 2009
POLITICOS USAM NOSSO DINHEIRO SEM CRITÉRIO E SEM TRANSPARÊNCIA...
Sem transparência ou critérios, dez assembleias legislativas pagam subsídios maiores do que os da Câmara dos Deputados.
GASTANÇA Em Santa Catarina, adicional é de 82 salários mínimos
Com o dinheiro público, senadores, deputados federais e estaduais, além de vereadores, têm pagas mensalmente despesas relacionadas ao custeio de mandato. Combustível, impressão de boletins informativos, passagens aéreas, manutenção de escritórios de apoio, telefone, serviços postais, entre outros gastos, são ressarcidos, mediante apresentação de nota fiscal. É a chamada verba indenizatória. Criada em 2001, o valor à época era de R$ 7 mil. Hoje é de R$ 15 mil para senadores e deputados federais. Só em 2008, a Câmara gastou R$ 169,1 milhões em verbas indenizatórias e o Senado, R$ 12 milhões. Nos Estados, o subsídio deveria ser de até 75% da quantia paga aos deputados federais, como manda o artigo 27, parágrafo 2º da Constituição Federal. Mas não é isso o que ocorre. Em pelo menos dez assembleias o valor pago está acima do limite legal. Algumas assessorias técnicas entendem que, como a Constituição é pouco clara, esta limitação vale apenas para o salário.
O caso mais impressionante é o da Assembléia de Alagoas. Lá, cada um dos 27 deputados pode gastar, todo mês, R$ 39 mil com "despesas de custeio". Na Assembleia de Santa Catarina são R$ 38 mil mensais. A diferença entre a Casa catarinense e a alagoana fica por conta da maneira como o pagamento é feito. Se em Alagoas o deputado recebe em dinheiro, seus colegas de Santa Catarina não, uma vez que fica a cargo da Assembleia pagar diretamente aos fornecedores. "O deputado não coloca a mão no dinheiro", orgulha-se o presidente da Assembleia de Santa Catarina, deputado Jorginho Mello (PSDB). Embora a verba indenizatória equivalha a quase 82 salários mínimos federais, Mello não considera o valor alto. "Acho R$ 38 mil um valor normal, nem alto nem baixo", defende. Os vizinhos paranaenses também figuram no topo da lista dos deputados que recebem as mais altas verbas indenizatórias, com R$ 27,5 mil mensais. São seguidos pelos 24 colegas de Mato Grosso, com R$ 23 mil, e pelos 46 do Ceará, que têm direito a R$ 22,9 mil. Ao ser perguntada sobre o valor da verba, Sávia Magalhães, diretora-geral da Assembleia do Ceará, brincou com a reportagem de ISTOÉ: "Me esquece, homem de Deus. Pelo amor de Deus, me poupe." Sávia também não acha que a verba indenizatória seja alta. "Deputado ganha pouco, eu queria que aumentasse", diz. Em Rondônia, os 24 deputados podem gastar até R$ 21,5 mil.
O deputado Euclides Maciel (PSDB-RO) usa a verba para pagar combustível, contador e o aluguel de um escritório em Ji-Paraná, com uma piscina no quintal, em que oferece aulas de hidroginástica para pessoas carentes. Minas Gerais e São Paulo integram o grupo das assembleias que mais gastam indenizando deputados. São R$ 20 mil mensais na primeira e R$ 19,8 mil para cada deputado paulista. Em Roraima, os 24 deputados têm uma verba indenizatória de até R$ 15 mil, paga mensalmente após a apresentação de notas fiscais. A assessoria da Assembléia Legislativa afirmou à ISTOÉ que os gastos não poderiam ser fornecidos porque a Casa está mudando de edifício e a documentação estaria encaixotada em outro prédio. No Piauí, Rio Grande do Norte, em Mato Grosso do Sul e no Espírito Santo os deputados custeiam seu mandato com as verbas de gabinete, que variam de R$ 7,8 mil a R$ 30 mil. Mesmo assim, há casos de corrupção. "Havia dezenas de superfaturamentos. Encaminhei ao Ministério Público 100 caixas contendo documentação mostrando desvios de verbas de R$ 6 milhões", conta o ex-presidente da Assembleia capixaba, deputado César Colnago (PSDB).
No Rio de Janiero, não há verbas indenizatórias, mas cada gabinete é bem suprido de recursos: cada deputado tem o direito de gastar até R$ 3 mil com telefone, recebe R$ 3 mil por mês em selos e R$ 2.085 para gasolina.
"Essa verba é injustificável e usada para fins eleitorais", diz Cláudio Abramo, diretor-executivo da organização não governamental Transparência Brasil, que monitora a atividade política no País. Ele argumenta que esses pagamentos são intoleráveis pelo fato de quase todas as assembleias contarem com estruturas e orçamentos destinados aos mesmos itens para os quais os políticos são indenizados. A discussão sobre legitimidade da verba está no Congresso. O presidente do Senado, José Sarney (PMDBAP), no início do mês, criticou a prática e afirmou que sua criação "não foi uma solução feliz", mas a sobrevivência da verba ainda divide os políticos.
MARAJÁS Em Alagoas, nota fiscal garante ressarcimento de até R$ 39 mil
A alternativa de incorporar o valor ao salário dos parlamentares é rechaçada por Abramo. "Seria intolerável, aí que não se teria nenhum tipo de controle", argumenta.
Apesar de a verba indenizatória ser uma informação pública, cujo conhecimento é direito de todo cidadão, tanto a Assembleia do Amapá quanto a do Acre simplesmente se recusaram a divulgar os valores. "A supressão deliberada de informações é a regra geral nas Casas Legislativas, a intenção é esconder", critica Abramo. De todas as assembleias consultadas, apenas cinco dispõem de publicação mensal na internet dos gastos dos deputados: São Paulo, Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. "Estamos tomando providências para instalação de um sistema de informatização que nos permita dar essa informação com segurança", promete Belarmino Lins (PMDB), presidente da Assembleia do Amazonas, onde os deputados recebem R$ 11,25 mil.No fim do ano passado, Lins foi flagrado com 12 parentes no gabinete, cada um deles ganhando quantias entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. O deputado empregava a mãe de 80 anos. Questionado sobre o que fazia a mãe, respondeu: "O que uma mãe faz? Aconselhar os filhos, proteger os filhos, orientar..."
"Até o final do ano pretendemos informatizar os dados", também promete Mello, presidente da Assembleia de Santa Catarina. Embora poucos, há parlamentares que são contra a verba. É o caso do deputado distrital José Reguff e (PDT), que propôs a diminuição de R$ 11,25 mil para R$ 2 mil mensais, mas foi derrotado em votação. "Dinheiro público não é para isso", diz. Infelizmente, a maioria pensa o contrário.
sábado, 14 de março de 2009
TODO PRESIDENTE GOSTARIA DE FICAR ETERNAMENTE NO PODER.
Seja qual for o resultado das urnas em 2010, o presidente desenha seu futuro, que inclui a criação de um instituto, um "exílio" no sítio e caravanas internacionais. Tudo para voltar ao palácio do planalto nos braços do povoOctávio Costa e Sérgio Pardellas

"Independentemente desse projeto de fim da reeleição, não afasto a hipótese de disputar novamente a Presidência da República" Presidente Lula a integrantes do PMDB
ESTILO GETÚLIO
Em 1949, em meio às articulações para a sucessão do general Eurico Gaspar Dutra à Presidência da República, os trabalhistas ressentiam-se de um nome carismático capaz de apaixonar as massas e enfrentar nas urnas os então candidatos da UDN, brigadeiro Eduardo Gomes, o favorito da classe média, e Cristiano Machado, do PSD, que representava a continuidade ao governo em vigor. Foi então que políticos, lideranças sindicais e personalidades desembarcaram em São Borja, cidade do interior do Rio Grande do Sul, onde o ex-presidente Getúlio Vargas, desde que fora afastado do poder pelos militares, em 1945, mantinha-se num exílio voluntário, sem dar declarações, enfurnado em sua fazenda. Na conversa, os emissários do PTB mostraram a Getúlio que sua candidatura tinha amplo respaldo popular e que dificilmente ele deixaria de ser reconduzido ao Palácio do Catete, onde ocupou a mesa principal por 15 anos. A decisão de Getúlio de deixar a solidão dos Pampas e regressar ao poder foi anunciada na célebre entrevista ao jornalista SamuelSe Lula não admite abertamente um eventual retorno depois de deixar a Presidência em 2010, seus planos para os quatro anos longe do poder indicam que o presidente quer ficar o mais próximo possível da política e da vida partidária nacional, para manter seu cacife eleitoral. A reclusão, com a família, no sítio Fubangos, em São Bernardo do Campo, onde pretende se dedicar à pesca e preparar o já tão falado coelho assado na panela dificilmente durará mais do que alguns meses. Existe o desejo de descansar e curtir uma quarentena, mas certamente o sítio será transformado em QG de articulação política. O objetivo do presidente é fazer daquele pedaço de chão uma espécie de meca da peregrinação de lideranças políticas de diversos partidos.
"Alguém acha que o Lula vai ficar no seu sítio, cuidando dos netinhos e pescando na represa Billings? Aí eu respondo como eleitor do presidente: me engana que eu gosto", desafia o ex-ministro José Dirceu. "Perguntei ao presidente o que ele ia fazer ao deixar o Planalto", conta o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), um dos assíduos frequentadores da residência de Lula em São Bernardo do Campo. O presidente respondeu: "Mesmo fora do governo, vou continuar fazendo política." Um dos filhos do presidente, Marcos Lula, que trabalha na Prefeitura de São Bernardo, diz: "'É pouco provável que ele vá parar. Meu pai tem paixão pela família, mas a vida política também é considerada por ele muito importante."
domingo, 8 de março de 2009
BRASIL - O PAIS DOS EX-PRESIDENTES.
Seu mandato caracterizou-se pela consolidação da democracia brasileira, mas também por uma grave crise econômica, que evoluiu para um quadro de hiperinflação histórica e moratória. Hojé é o Presidente do Senado.
TERRA - NOTÍCIAS - 02 de fevereiro de 2009
Sarney confirma expectativa e se elege presidente do Senado
O ex-presidente da República Jose Sarney (PMDB-AP) conseguiu se eleger como novo presidente do Senado com 49 votos, derrotando o seu concorrente, o senador Tião Viana (PT-AC), que fez 32 votos. Mesmo sem contar com o apoio do PSDB, Sarney reuniu apoio de diversos senadores principalmente pelo fato de ser atualmente o político mais antigo que ainda está no Congresso Nacional.Após a vitória, Sarney foi aplaudido e abraçou o senador e ex-presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL).
Sarney nasceu em Pinheiro, no Maranhão, em 24 de abril de 1930. Em 1953 se formou em advocacia pela Faculdade de Direito do Maranhão e casou-se com D.Marly Macieira Sarney.
Sua vida política teve início quando se elegeu deputado federal na década de 50. Depois disso foi senador, líder de partido, e o primeiro presidente a assumir após a ditadura militar, apesar de não ter sido eleito pelo voto direto e sim por causa da morte do presidente eleito Tancredo Neves, do qual ele era vice na chapa.
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3487587-EI7896,00.html
FERNANDO COLLOR FOI O PRESIDENTE QUE NÃO TERMINOU O MANDATO, FOI COLOCADO PARA FORA COM UM Impeachment.
Teve seus direitos cassados por oito anos por determinação do Senado Federal e hoje é Senador.
ISTO É - Edição 2052 - 11/03/2009
O pac agora é delle
Com apoio do Planalto, Collor derrota PT e é eleito presidente de comissão do Senado que aprova programa de obras do governo
Primeira Gafe Consolada pela senadora Fátima Cleida, Ideli cumprimenta Collor, que disse que ela "cisca"Na véspera do Carnaval, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, foi ao Palácio do Planalto a chamado do presidente Lula, que estava preocupado com as negociações em andamento no Senado. Com a bênção de José Sarney, Renan avisou que o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) era o nome escolhido pelo PMDB e o DEM para assumir a Comissão de Infraestrutura. "Minha única preocupação é com a governabilidade", explicou Lula. "Fica tranquilo, presidente, o governo vai sair ganhando, pois a base aliada vai conquistar mais estabilidade", respondeu Renan.
E na quarta-feira 4 ajudou Collor a se eleger titular da comissão responsável pela análise dos grandes projetos do governo. O PAC, carro-chefe da campanha da ministra Dilma Rousseff, ficará sob o crivo do ex-presidente da República. Dezesseis anos depois do impeachment e com 59 anos, elle está de volta à cena política. Confirmada a votação, ficou feliz ao ouvir novamente a palavra "presidente" e abriu um largo sorriso. "Como é bom ganhar!", disse aos amigos. "Eu nunca mais experimentei esse sabor."
Como em 1989, quando derrotou Lula na corrida presidencial, Collor deixou o PT irritado. Antes de sacramentada a vitória por 13 votos a dez sobre a senadora Ideli Salvatti (PTSC), os petistas cobraram o princípio da proporcionalidade na tentativa de emplacar a intransigente defensora do Palácio do Planalto no Senado. Terminada a eleição, o senador Aloizio Mercadante (SP) não se conteve. "Foi uma aliança espúria, que interferiu no direito legítimo e democrático do PT de presidir essa comissão", reagiu. "Eu repilo. Foi um acordo inteiramente aberto.O senador Mercadante precisa medir suas palavras e respeitar seus companheiros aqui do Senado", devolveu Collor.
"Foi uma aliança espúria, que interferiu no direito legítimo e democrático do PT de presidir essa comissão"
Aloizio Mercadante, senador (PT-SP)
Antes, em seu discurso, o ex-presidente irritou os senadores do PT ao dizer que Ideli "é uma pessoa que cisca para dentro". Mercadante cobrou retratação e Collor afirmou que era um elogio. "No Nordeste, essa expressão identifica uma pessoa que agrega", esclareceu Collor, tentando desfazer o mal-estar.
Apesar da ascendência que Collor terá sobre obras importantes do PAC, os senadores da base do governo acreditam que o ex-presidente não vai criar problemas para o Planalto. Pelo contrário, Collor integra um partido da base aliada e já demonstrou para os colegas que pretende navegar junto com os 84% de popularidade do presidente Lula. Quando assumiu sua cadeira no Senado, ele fez questão de ser recebido em audiência pelo presidente Lula e saiu desfiando elogios ao antigo adversário.
"Não creio que o presidente Collor se constitua num obstáculo aos projetos do PAC", prevê o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). "Sua eleição decorre de um acordo relacionado à eleição da mesa, com José Sarney." O senador Pedro Simon, do PMDB do Rio Grande do Sul, também não vê ameaça: "Nós temos que oferecer a chance de ele se recuperar, desempenhar seu mandato", diz Simon. "Queira Deus que Collor se saia bem."
http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2052/brasilo-pac-agora-e-dellecom-apoio-do-planalto-collor-derrota-127623-1.htm
domingo, 1 de março de 2009
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45 no banco dos réus
Os 45 parlamentares citados nas próximas páginas estão juridicamente no banco dos réus porque a Procuradoria-Geral da República encontrou, nos diversos casos que analisou, elementos suficientes para acusá-los. E um ministro da suprema corte do Brasil entendeu que nos processos havia um número necessário de provas para que eles sejam finalmente julgados. Isso significa que, a partir de agora, estes sete senadores e 38 deputados têm duas opções.
Na melhor das hipóteses, eles poderão ser inocentados pelos votos dos 11 ministros - e foi exatamente isso que aconteceu na tarde da quarta-feira 18 com o deputado Sérgio Moraes do PTB do Rio Grande do Sul. Moraes respondia por crime de responsabilidade em três processos. Quando foi prefeito de Caxias do Sul, ele proibiu os guardas de trânsito de multar os carros da prefeitura. Logo ele, que preside a Comissão de Ética da Câmara.
Na pior das hipóteses, eles serão condenados e assim, com base no que determina a Constituição, perderão imediatamente seus mandatos. Só que o STF nunca condenou um parlamentar. Em 2004, manteve, por exemplo, a sentença que cassou os mandatos do senador João Capiberibe e de sua mulher, a deputada Janete Capiberibe, ambos do PSB do Amapá. Mas eles, na verdade, foram condenados por compra de votos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O foro privilegiado é apontado por muitos juristas como o maior estímulo à impunidade dos políticos. "Isso é uma excrescência brasileira, que não existe na maioria das democracias", diz o ministro Joaquim Barbosa, do STF. "Nos EUA, o presidente Bill Clinton foi indiciado e respondeu diante de um juiz de primeira instância", compara.
Como no sistema brasileiro o rito processual favorece o réu, resta naturalmente uma terceira via. É a chamada prescrição do caso, quando o processo se encerra pela demora em ser julgado. Graças ao uso de recursos protelatórios, os parlamentares poderão manter o mandato e voltar à condição de inocentes sem terem ido a julgamento. Essa tem sido a estratégia adotada, por exemplo, por muitos dos réus do mensalão.
O levantamento de ISTOÉ mostra que os 45 réus do Congresso respondem por 31 crimes eleitorais, 38 crimes de responsabilidade, 12 crimes contra o sistema financeiro, 104 peculatos, 16 crimes contra a ordem tributária, 18 contra a fé pública, 13 por formação de quadrilha, 11 crimes ambientais e um sequestro. Além disso, constam 20 casos protegidos por segredo de Justiça (quase sempre questões relativas à família e a menores).
Nas eleições do ano passado, o TSE foi pressionado por alguns juízes para apresentar o que eles chamavam de "lista dos políticos fichas-sujas" para informar ao eleitor quem eram os candidatos processados nas várias instâncias da Justiça. O TSE negou a divulgação na época, mas pretende iniciar na próxima semana um levantamento destes nomes. "É o TSE saindo da letargia, do faz-de-conta", diz o ministro Joaquim Barbosa.
A compilação dos processos produziu curiosidades surpreendentes. Para começar, fica claro que hoje o Senado, com 8,6% de seus integrantes colocados na condição de réu, é uma Casa em piores lençóis que a Câmara, que tem 7,4% de réus. Entre os partidos, o campeão é o Partido Progressista (PP), que tem 20% de seus 39 deputados respondendo a processos no STF. Ou seja, em cada cinco, um tem ficha-suja.
O PP tem em sua bancada um campeão - o deputado Neudo Campos (RR) - que responde a nove ações e ainda aguarda o resultado de outros dez inquéritos que poderão também se transformar em processos. Campos será julgado por formação de quadrilha, peculato e corrupção eleitoral, entre outros crimes. Procurado para se manifestar sobre as acusações, Campos está de férias, segundo sua assessoria. Seu desempenho no STF deixou para trás o correligionário mais conhecido, Paulo Maluf (SP), réu em três ações, que tratam de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. "Tive mais de 150 ações contra mim", diz Maluf. "Sou um campeão de processos, mas sou também um campeão de absolvições."
O vice-campeão na lista dos fichassujas é o Partido da República (PR), do deputado Clodovil Hernandes (SP), que figura em quatro processos por crime ambiental. Dos 42 deputados da bancada do PR, sete (16%) são réus no Supremo. Clodovil é representante da Frente Ambientalista da Câmara e diz que foi um "boi de piranha" do Ministério Público de Ubatuba, onde foi acusado de agredir a natureza. "Tenho mais de duas mil plantas catalogadas em casa. Mesmo que eu tivesse invadido área verde, não prejudiquei a natureza", diz Clodovil. "Gasto de R$ 5 mil a R$ 6 mil por mês na floricultura, tenho uma horta grande, tenho 90 galinhas que põem ovos todos os dias, não tem sentido eu ser julgado."
Partido dos atuais presidentes do Senado e da Câmara, o PMDB tem 11 integrantes na condição de réu. É o quarto mais processado na Câmara e segundo no Senado. No topo da sua lista está o deputado Jader Barbalho (PA), que responde por crimes que vão de falsidade ideológica à formação de quadrilha, em quatro processos.
"Foro especial é concebido deliberadamente para assegurar a impunidade a certas classes de pessoas" Joaquim Barbosa, ministro do STF
O levantamento de ISTOÉ na contabilidade processual da suprema corte mostra que, na atual legislatura, dos 513 deputados federais e 81 senadores, um em cada cinco parlamentares está envolvido com algum tipo de investigação criminal ou administrativa. Uma das alternativas para cortar este mal pela raiz está na proposta de se proibir a candidatura de pessoas condenadas por tribunais estaduais. Se a regra já estivesse em vigor em 2006, Maluf, por exemplo, não poderia ter disputado a eleição que o levou ao Congresso, garantindo o foro privilegiado. "Defendo emenda constitucional proibindo candidatura dos políticos condenados em segunda instância", diz o presidente da Câmara, Michel Temer.
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, agiu com rapidez. Na quintafeira 19, negou recurso do ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB). Cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral na terçafeira 17, ele recorria ao STF pedindo para continuar no cargo até que todas as suas apelações estivessem julgadas. Mello nem entrou no mérito da questão e decidiu que a competência para julgar o ex-governador paraibano era unicamente do TSE. A saída de Cunha Lima, no entanto, não significa que a Paraíba esteja respirando ares de estabilidade política. Assim como ele, o atual governador também será julgado brevemente no TSE acusado pela compra de votos. Ao decidir empossar Maranhão, a Justiça fez va ler o que está escrito na lei, mas a decisão não deixa de ser polêmica. Nos maiores colégios eleitorais, existe o segundo turno das eleições para que o vencedor seja aquele escolhido pela maioria dos eleitores. No caso da Paraíba, Maranhão não obteve o voto da maioria. Ou seja, a mesma Justiça que determinou o "perdeu saiu" para Cunha Lima, impôs o "perdeu entrou" para Maranhão.
NA FILA
Governadores que serão julgados pelo TSE:
JACKSON LAGO (PDT-MA) - Abuso de poder econômico, abuso de poder político e compra de voto.
LUIZ HENRIQUE (PMDB-SC) - Abuso de poder econômico, abuso de poder político, abuso de autoridade e uso indevido de meio de comunicação.
IVO CASSOL (sem partido-RO) - Abuso de poder econômico.
JOSÉ DE ANCHIETA JÚNIOR (PSDB-RR) - Abuso de poder econômico, abuso de poder político, abuso de autoridade e compra de voto.
MARCELO DÉDA (PT-SE) - Abuso de poder econômico, abuso de poder político e abuso de autoridade
MARCELO MIRANDA (PMDB-TO) - Abuso de poder político, abuso de autoridade, uso indevido de meio de comunicação e compra de voto.
WALDEZ GÓES (PDT-AP) - Abuso de poder econômico, abuso de poder político, abuso de autoridade e uso indevido de meio de comunicação.



